"Nado pela vida", diz gaúcha que já viveu o dobro do esperado pelos médicos
Susana Schnarndorf, 48, saiu da água esfuziante na manhã desta sexta-feira, 9. Havia três anos não fazia um tempo tão bom quanto o que acabara de marcar na sua participação no revezamento misto 4x50 nado livre (20 pontos). "Foi incrível, muito bom. É o meu melhor tempo em três anos", vibrou. Ela ajudou a equipe brasileira a chegar à final da prova, na noite desta sexta-feira, com o segundo melhor tempo.

Sua participação no time que nadará a final ainda é incerta.

Assim como o futuro de Susana. Ela sofre com uma doença tão grave quanto rara.

Chama-se Atrofia de Múltiplos Sistemas (MSA, na sigla em inglês). Geralmente acomete pessoas com mais de 50 anos. Em Susana, os primeiros sintomas surgiram aos 36 anos. Em média, vive-se nove anos com MSA até morrer em função da degeneração de forma definitiva os movimentos, as funções cardíacas, respiratórias.

Esta gaúcha de Porto Alegre recebeu o diagnóstico de que teria apenas seis anos a mais de vida. Lá se vão 12 anos que convive com MSA e batalha contra o avanço da degeneração com muita dedicação e treinamento de natação diariamente. "Muitas pessoas falam: ah, natação é minha vida. Mas no meu caso é de verdade: isso daqui é minha vida. Eu caio na água todos os dias lutando pela minha vida", disse Susana, após as eliminatórias do revezamento misto 4 x 50 livre.

"Acho que inspirar as pessoas vale muito mais que qualquer medalha. Às vezes vem gente que nem conheço me abraçar chorando dizendo que parou de tomar antidepressivo depois de conhecer minha historia. Em Londres-2012, muita gente achava que eu não conseguiria estar aqui no Rio-2016 [por causa do avanço da doença]. Eu tenho 48 anos hoje e nado com pessoas de 15 anos, que poderiam ser minha filha. Eu uso uma frase da Dara Torres: idade é só um número", afirma Susana.

Há quatro anos, a gaúcha recebeu da filha mais nova uma prancha com desenhos feitos pela caçulinha para ser utilizado nos treinamentos. Serviu como amuleto para Susana. Agora, a MSA impede que Susana bata as pernas e possa treinar utilizando a prancha dada pela filha, que se tornou um amuleto. E ela pretende levar até Tóquio-2020. "Ano que vem tem Mundial de natação paraolímpica, estarei lá. E vou estar em Tóquio também, daqui a quatro anos, trabalho para isso", profetizou.

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